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O futuro do credenciamento no Brasil: tendências, regulação e tecnologia

Jefferson Girardi Julho de 2026 8 min de leitura

De 2 players para 60+: a revolução da adquirência brasileira

Em 2010, duas adquirentes (Cielo e Rede) controlavam quase 100% do mercado de cartões no Brasil. Hoje, são mais de 60 adquirentes e 380 subadquirentes operando — e a transformação está longe de terminar.

O mercado de adquirência brasileiro está passando por uma das maiores transformações da sua história, impulsionada por regulação, tecnologia e novos modelos de negócio. Neste post, reunimos as principais tendências que vão moldar o futuro do setor.

1. Acquiring as a Service (AaaS)

O modelo de Aquiring como Serviço permite que qualquer empresa — de fintechs a grandes varejistas — ofereça processamento de pagamentos com sua própria marca, sem precisar se tornar uma adquirente licenciada.

Empresas como Dock (que atende 60+ adquirentes e 380+ subadquirentes), Barte (plataforma white-label) e a própria Fiserv (via Carrier BIN) fornecem toda a infraestrutura: licenciamento, certificação, antifraude, liquidação e backoffice.

A tendência é que o AaaS se torne o padrão para novos entrantes. Em vez de construir uma adquirente do zero (o que leva anos e exige milhões em investimento), a empresa contrata a infraestrutura pronta e foca no que sabe fazer melhor: atender o lojista.

2. Embeddded Finance: o pagamento invisível

O mercado de embedded finance (finanças embarcadas) no Brasil deve crescer de US$ 12,93 bilhões (2024) para US$ 18,33 bilhões até 2030. O varejo será responsável por metade desse mercado.

Na prática, o pagamento está cada vez mais invisível: acontece dentro da jornada do usuário sem que ele precise pegar a carteira. Exemplos:

3. Inteligência Artificial nos pagamentos

A IA está revolucionando os pagamentos em várias frentes:

4. Regulação: BCB #522 e o novo marco

A Resolução BCB nº 522, em vigor desde maio de 2026, é a mudança regulatória mais importante para o setor desde a abertura do mercado:

A regulação está elevando a barra para pequenos subadquirentes, que precisarão de mais capital e governança. O resultado esperado é uma consolidação do mercado nos próximos anos.

5. Pix Automático e Pix por Aproximação

O Pix Automático, lançado em junho de 2025, já está mudando o mercado de pagamentos recorrentes. Ele elimina a necessidade de convênios entre empresas e bancos (ao contrário do débito automático tradicional) e está disponível em todos os bancos participantes do Pix.

O Pix por Aproximação (NFC) está ganhando escala em 2026 e compete diretamente com os cartões no PDV físico. A liquidação é imediata e as taxas são muito inferiores às do cartão de crédito.

No primeiro semestre de 2026, o Pix se consolidou como o meio de pagamento mais usado no e-commerce (42% das transações, superando o cartão de crédito pela primeira vez) e representa 54,7% de todas as transações do sistema financeiro brasileiro.

6. DREX: a moeda digital do BC

O DREX (real digital) está em fase de piloto no Banco Central. As regras de interoperabilidade entre Pix e DREX estão sendo definidas, e os contratos inteligentes (smart contracts) devem permitir a automação de pagamentos combinada com transferência de ativos — como a compra de um veículo em que o pagamento e a transferência de propriedade ocorrem simultaneamente.

O DREX tem potencial para transformar profundamente o sistema de pagamentos brasileiro, especialmente em operações de maior complexidade.

7. Consolidacão do mercado

As principais movimentações recentes apontam para um mercado em consolidação:

O BCB também implementou novas regras de capital (julho/2026) baseadas em atividade (não mais por tipo de licença), afetando 1.751 instituições com transição até 2028.

O futuro é ser um hub financeiro

Para o franqueado FourPay, o futuro do credenciamento não é apenas processar cartões. É oferecer um ecossistema completo:

A adquirência do futuro não é um terminal — é uma plataforma.

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