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Open Finance e pagamentos: o que muda para lojistas e adquirentes

Jefferson Girardi Julho de 2026 8 min de leitura

O Open Finance virou realidade

Lançado em 2020 pelo Banco Central, o Open Finance brasileiro é hoje o maior ecossistema de dados financeiros abertos do mundo. Em julho de 2026, já conta com 780 participantes, mais de 220 milhões de consentimentos ativos e cerca de 45 a 50 bilhões de chamadas de API por mês.

Para efeito de comparação: em 2023 eram 1 bilhão de chamadas por semana; hoje são 10 bilhões por semana. Um crescimento de 10x em três anos.

Iniciação de pagamento: o grande motor de crescimento

A funcionalidade mais transformadora do Open Finance para o mercado de pagamentos é a iniciação de pagamento (ITP). Por meio dela, uma instituição autorizada pode iniciar um Pix diretamente da conta do cliente, sem redirecionamento para o banco.

Os números impressionam:

Os maiores iniciadores de pagamento em 2025 foram Nubank, Google Pay e Iniciador — todas fintechs, substituindo os bancos que lideravam em 2024. Hoje já são ~60 ITPs autorizados pelo BC (eram 27 no fim de 2023).

Jornada Otimizada de Pagamento

A grande novidade de 2026 é a Jornada Otimizada, instituída pela IN BCB 724/26 (versão 7.0 do Manual de Escopo do Open Finance). Ela unifica em um único fluxo o compartilhamento de dados de saldo/limite com a iniciação de pagamento.

Na prática, o cliente autoriza o pagamento sem sair do ambiente onde está comprando — seja um site, um app de delivery ou uma maquininha física. A autenticação é feita por biometria (FIDO2) no próprio celular.

A novidade mais recente é a Jornada Sem Redirecionamento (JSR), que elimina a necessidade de o cliente sair do ambiente da loja para autorizar o pagamento no banco. O piloto da JSR 2.2.0 ocorreu entre fevereiro e abril de 2026, incluindo suporte a Pix Automático, Desktop e ampliação para pessoas jurídicas. Desde 22 de junho de 2026, a Jornada Otimizada está disponível ao público geral.

Pix Automático: o fim do débito automático tradicional

Lançado em junho de 2025, o Pix Automático permite que empresas cobrem recorrentemente seus clientes via Pix, com periodicidade semanal, mensal, trimestral, semestral ou anual, com valor fixo ou variável.

O Pix Automático dispensa convênios entre empresas e bancos (ao contrário do débito automático tradicional) e está disponível em todos os bancos participantes do Pix. São até 4 tentativas de cobrança (1 original + 3 retentativas em até 7 dias), com janelas de liquidação predefinidas.

Com o Open Finance, o Pix Automático ganha ainda mais potência: o consentimento de longa duração permite que o cliente autorize as cobranças de forma padronizada e interoperável entre bancos, sem precisar cadastrar cada empresa separadamente.

O que isso significa para o lojista?

Para o lojista que aceita pagamentos, o Open Finance traz impactos diretos e indiretos:

E para as adquirentes?

O Open Finance representa uma ameaça e uma oportunidade para as adquirentes tradicionais. Por um lado, a iniciação de pagamento permite que pagamentos ocorram diretamente entre contas bancárias (account-to-account), eliminando a necessidade de bandeiras e adquirentes. Isso comprime a MDR e reduz o volume processado pelas maquininhas tradicionais.

Por outro lado, as adquirentes estão se adaptando:

Desafios ainda existem

Apesar do crescimento, o Open Finance ainda enfrenta desafios significativos:

Mesmo assim, o potencial é imenso: a PwC estima que o Open Finance pode gerar R$ 42 bilhões em novas receitas até o fim de 2026. E o Banco Central projeta de 500 a 600 milhões de consentimentos no futuro.

Oportunidade para o franqueado

Para o franqueado FourPay, entender Open Finance é essencial para se posicionar com clientes que querem mais do que uma maquininha. O franqueado que domina o ecossistema de pagamentos digital — incluindo Pix, Open Finance e antecipação — se diferencia da concorrência e oferece uma consultoria de valor real para o lojista.

O futuro do credenciamento não é só processar cartão: é ser o hub financeiro do pequeno e médio negócio.

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