O Open Finance virou realidade
Lançado em 2020 pelo Banco Central, o Open Finance brasileiro é hoje o maior ecossistema de dados financeiros abertos do mundo. Em julho de 2026, já conta com 780 participantes, mais de 220 milhões de consentimentos ativos e cerca de 45 a 50 bilhões de chamadas de API por mês.
Para efeito de comparação: em 2023 eram 1 bilhão de chamadas por semana; hoje são 10 bilhões por semana. Um crescimento de 10x em três anos.
Iniciação de pagamento: o grande motor de crescimento
A funcionalidade mais transformadora do Open Finance para o mercado de pagamentos é a iniciação de pagamento (ITP). Por meio dela, uma instituição autorizada pode iniciar um Pix diretamente da conta do cliente, sem redirecionamento para o banco.
Os números impressionam:
- 2024: R$ 3,2 bilhões transacionados via ITP
- 2025: R$ 15,3 bilhões — crescimento de 4,8x
- Transações: de 7,4 milhões (2024) para 64,5 milhões (2025) — crescimento de 9x
- Só no 4º trimestre de 2025: R$ 7 bilhões em 32,6 milhões de transações
Os maiores iniciadores de pagamento em 2025 foram Nubank, Google Pay e Iniciador — todas fintechs, substituindo os bancos que lideravam em 2024. Hoje já são ~60 ITPs autorizados pelo BC (eram 27 no fim de 2023).
Jornada Otimizada de Pagamento
A grande novidade de 2026 é a Jornada Otimizada, instituída pela IN BCB 724/26 (versão 7.0 do Manual de Escopo do Open Finance). Ela unifica em um único fluxo o compartilhamento de dados de saldo/limite com a iniciação de pagamento.
Na prática, o cliente autoriza o pagamento sem sair do ambiente onde está comprando — seja um site, um app de delivery ou uma maquininha física. A autenticação é feita por biometria (FIDO2) no próprio celular.
A novidade mais recente é a Jornada Sem Redirecionamento (JSR), que elimina a necessidade de o cliente sair do ambiente da loja para autorizar o pagamento no banco. O piloto da JSR 2.2.0 ocorreu entre fevereiro e abril de 2026, incluindo suporte a Pix Automático, Desktop e ampliação para pessoas jurídicas. Desde 22 de junho de 2026, a Jornada Otimizada está disponível ao público geral.
Pix Automático: o fim do débito automático tradicional
Lançado em junho de 2025, o Pix Automático permite que empresas cobrem recorrentemente seus clientes via Pix, com periodicidade semanal, mensal, trimestral, semestral ou anual, com valor fixo ou variável.
O Pix Automático dispensa convênios entre empresas e bancos (ao contrário do débito automático tradicional) e está disponível em todos os bancos participantes do Pix. São até 4 tentativas de cobrança (1 original + 3 retentativas em até 7 dias), com janelas de liquidação predefinidas.
Com o Open Finance, o Pix Automático ganha ainda mais potência: o consentimento de longa duração permite que o cliente autorize as cobranças de forma padronizada e interoperável entre bancos, sem precisar cadastrar cada empresa separadamente.
O que isso significa para o lojista?
Para o lojista que aceita pagamentos, o Open Finance traz impactos diretos e indiretos:
- Redução de taxas: pagamentos iniciados por ITP podem contornar parte das taxas de cartão e da MDR tradicional
- Recebimento em tempo real: o Pix via ITP cai na hora na conta do lojista, sem esperar D+30 do cartão
- Menos fricção no checkout: a Jornada Otimizada reduz o abandono de carrinho no e-commerce
- Recorrência sem burocracia: Pix Automático substitui boletos e débito automático com menos custos operacionais
- Crédito mais barato: com compartilhamento de dados, o lojista pode ser avaliado por múltiplas instituições e obter crédito com taxas melhores
E para as adquirentes?
O Open Finance representa uma ameaça e uma oportunidade para as adquirentes tradicionais. Por um lado, a iniciação de pagamento permite que pagamentos ocorram diretamente entre contas bancárias (account-to-account), eliminando a necessidade de bandeiras e adquirentes. Isso comprime a MDR e reduz o volume processado pelas maquininhas tradicionais.
Por outro lado, as adquirentes estão se adaptando:
- Stone já usa o Iniciador como fornecedor de ITP
- Cielo, Rede, GetNet integram Pix e Open Finance em suas ofertas
- Fiserv (Bin/Clover) oferece Pix nas maquininhas e no Hub de Pix
- O mercado de adquirência saltou de 2 players (2010, quase 100% do volume) para mais de 350 adquirentes e subadquirentes ativos em 2025
Desafios ainda existem
Apesar do crescimento, o Open Finance ainda enfrenta desafios significativos:
- Taxa de conversão baixa: menos de 50% na jornada de consentimento e menos de 30% em iniciação de pagamentos
- Rejeição por saldo: mais de 80% dos pagamentos que passam pela jornada são rejeitados por saldo insuficiente
- PJ sub-representado: apenas 3% das empresas brasileiras estão conectadas
- Sistemas legados: core bancários de 20 a 40 anos não foram projetados para chamadas de API em tempo real
Mesmo assim, o potencial é imenso: a PwC estima que o Open Finance pode gerar R$ 42 bilhões em novas receitas até o fim de 2026. E o Banco Central projeta de 500 a 600 milhões de consentimentos no futuro.
Oportunidade para o franqueado
Para o franqueado FourPay, entender Open Finance é essencial para se posicionar com clientes que querem mais do que uma maquininha. O franqueado que domina o ecossistema de pagamentos digital — incluindo Pix, Open Finance e antecipação — se diferencia da concorrência e oferece uma consultoria de valor real para o lojista.
O futuro do credenciamento não é só processar cartão: é ser o hub financeiro do pequeno e médio negócio.