R$ 4,5 trilhões em transações com cartão em 2025
O mercado brasileiro de adquirência nunca foi tão grande. Segundo a Abecs, as transações com cartões de crédito, débito e pré-pago somaram R$ 4,5 trilhões em 2025, um crescimento de 10,1% sobre 2024. Foram 48,1 bilhões de transações — uma média de 132 milhões por dia.
E a projeção para 2026 é ainda maior: crescimento entre 9,5% e 11,5%, ultrapassando R$ 5 trilhões pela primeira vez na história.
Quem lidera o mercado?
Dados do UBS BB de janeiro de 2026 mostram a seguinte distribuição por volume transacionado:
- Rede (Itaú): 18% — LÍDER
- Cielo: 17%
- PagBank: 17%
- Stone: 15%
- Mercado Pago: 9%
- GetNet (Santander): 5%
O Top 3 (Rede + Cielo + PagBank) concentra 52% do volume. A Rede foi a maior ganhadora, avançando 5 pontos percentuais no último ano, impulsionada pelo pacote integrado de conta corrente + maquininha do Itaú.
Em número de usuários, Cielo lidera com 28%, seguida por PagBank (26%), Rede (25%) e Stone (22%).
Cartões vs Pix: complementares, não concorrentes
Muita gente pergunta se o Pix vai acabar com os cartões. A resposta dos dados é clara: não. Cartões e Pix cresceram juntos.
No segundo semestre de 2025, o Pix representou 54,7% das transações no país (42,9 bilhões de transações, +24,3%), enquanto os cartões somaram 30,4%. Mas em valor, os cartões continuam na frente: R$ 4,5 trilhões vs R$ 2,3 trilhões do Pix em 2025.
O Pix domina pagamentos de baixo valor e transferências instantâneas. O cartão de crédito reina no parcelamento, nas compras de médio/alto valor e no e-commerce. Há uma clara complementaridade entre os dois meios.
O Brasil tem hoje 477 milhões de cartões ativos — um crescimento de 47,5% desde 2020. No primeiro trimestre de 2026, os cartões representaram 35,1% do PIB brasileiro.
Tap on Phone: a fronteira quente
A tecnologia que transforma celular em maquininha é o fenômeno do momento. O Tap on Phone movimentou R$ 78 bilhões em 2025, um salto de 241,4% sobre 2024. No primeiro trimestre de 2026, já são R$ 27,1 bilhões (+114,6%).
O crescimento acumulado em dois anos (1T24 a 1T26) é de impressionantes 1.188,8%. A projeção para 2026 é superar R$ 100 bilhões.
O Brasil já tem ~3,5 milhões de terminais ToP ativos — o maior mercado global entre 140 países, segundo a Visa. O crédito representa cerca de 94% do volume transacionado por essa via.
Pagamentos por aproximação
O contactless (NFC) já é a forma predominante de pagamento presencial no Brasil. Em março de 2026, 74,8% das compras presenciais com cartão foram por aproximação. Em dezembro de 2020, esse número era de apenas 5,4%.
Foram R$ 1,9 trilhão transacionados por aproximação em 2025 (+31%), e R$ 504,8 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026.
E-commerce: R$ 1,1 trilhão
As compras remotas com cartão somaram R$ 1,1 trilhão em 2025, alta de 18,3%. O parcelamento sem juros respondeu por 42,6% das compras com cartão, e 64,2% das parceladas ficaram em até 6x.
O débito online (cartão de débito em compras remotas) cresceu 323,4% em 6 anos, reflexo da digitalização bancária.
Pagamentos recorrentes disparam
Assinaturas e pagamentos recorrentes com cartão somaram R$ 141,9 bilhões em 2025, alta de 34%. No primeiro trimestre de 2026, já são R$ 41,7 bilhões (+36%). O crédito responde por ~95% desse volume.
Estrutura do mercado: fragmentação com concentração
O mercado brasileiro de adquirência tem mais de 60 adquirentes e 380 subadquirentes autorizados. Mas as 5 maiores adquirentes concentram 96% do volume, segundo a Abecs.
A grande tendência de 2025-2026 é o retorno dos bancos ao protagonismo. Bancos como Itaú (Rede), Santander (GetNet) e os bancos digitais (PagBank, Mercado Pago, Nubank) estão oferecendo pacotes integrados de conta + crédito + maquininha, roubando market share das adquirentes independentes como Stone.
O profit pool do setor é estimado em R$ 120 bilhões, com potencial de chegar a R$ 170 bilhões até 2030 (Bain & Company).
Penetração digital caminha para saturação
O Brasil já atingiu 85% de penetração de meios eletrônicos no mercado endereçável (2025). A projeção é chegar a 96% até 2028. O uso de dinheiro em espécie caiu para apenas 12% nos PDVs brasileiros — abaixo de países como Alemanha (32%), Portugal (27%) e Espanha (34%).
O que esperar para os próximos anos?
- Consolidação: adquirentes médias serão pressionadas por economias de escala e regulação
- Pix Automático e Pix Recorrente: devem ampliar a competição com cartões no médio prazo
- Tap on Phone: segue como principal vetor de crescimento, especialmente para microempreendedores
- Open Finance: com 100+ milhões de clientes compartilhando dados, a personalização de ofertas será o diferencial competitivo
- Regulação: BCB segue apertando requisitos de capital (Res. CMN/BCB Conjunta 14/25) e regulando novos entrantes
- Fraudes em queda: índice caiu 25,2% em 3 anos, de 17,3 bps para 12,9 bps