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Fraudes na adquirência: prevenção, chargeback e novas regras do BC

Jefferson Girardi Julho de 2026 7 min de leitura

Fraude caiu 47%, mas ainda é um desafio bilionário

O índice de fraudes com cartões no Brasil caiu 47,3% nos últimos três anos, de 17,3 bps (1T22) para 9,1 bps (1T25). Em quantidade, a queda foi de 45,2% — de 61 para 33 eventos fraudulentos a cada 100 mil transações.

Os números mostram que os investimentos em segurança estão funcionando. Mas o setor financeiro ainda perdeu R$ 10,1 bilhões com fraudes em 2024 (+17% sobre 2023, segundo a Febraban), e só no primeiro trimestre de 2026 foram 1,49 milhão de tentativas de fraude de identidade digital no Brasil, uma alta de 36,6% sobre o mesmo período de 2025.

Ou seja: a tecnologia de prevenção avança, mas os criminosos também se modernizam.

Fraude presencial vs fraude online

O comportamento da fraude é muito diferente entre o mundo físico e o digital:

No e-commerce, o ticket médio da fraude chega a R$ 917,52 — 62% acima do valor médio de uma compra legítima. Segundo a ClearSale, foram 2,8 milhões de tentativas de fraude no e-commerce em 2024, com potencial de prejuízo de R$ 3 bilhões.

Chargeback: o calcanhar de Aquiles do lojista

O chargeback é o mecanismo pelo qual o portador do cartão contesta uma cobrança junto ao banco emissor. Quando o chargeback é procedente, o valor é estornado do lojista — que perde o produto e o dinheiro.

As novas regras do BC (Resolução BCB 522/2025) trouxeram mudanças importantes:

O STJ também trouxe um precedente importante (AREsp 2.455.757-SP, abril de 2026): o lojista não pode ser responsabilizado exclusivamente por chargeback em toda e qualquer circunstância. A responsabilização exige descumprimento contratual E contribuição decisiva para a fraude.

Além disso, a Visa implementou em abril de 2026 o VAMP (Visa Acquirer Monitoring Program), que reduziu o limiar de chargeback + fraude de 2,2% para 1,5%. Acima disso, a multa é de US$ 8 a US$ 10 por transação.

As ferramentas da Fiserv contra fraudes

A Fiserv (Bin/Clover) oferece um conjunto completo de soluções de prevenção a fraudes para seus lojistas e franqueados:

Segundo Ronaldo Trigo, Diretor de Prevenção à Fraude, Crédito e Risco na Fiserv: "Evoluímos muito na detecção de fraudes em transações com cartão em 2023, com 50% menos perdas que no ano passado."

3D Secure: o escudo do e-commerce

O 3D Secure 2.2 é a principal ferramenta de proteção para vendas online. Quando uma transação é autenticada via 3DS (códigos ECI 05 na Visa ou ECI 02 na Mastercard), o ônus do chargeback fraudulento transfere-se para o banco emissor — o lojista fica protegido.

Desde julho de 2026, a Mastercard exige 4 campos obrigatórios no 3DS: nome do titular, endereço de cobrança, método de contato e identificador do dispositivo. Quem não enviar todos os campos pode perder o liability shift.

O ideal é configurar o 3DS no modo frictionless para 80% a 90% das transações (sem impacto na conversão) e usar o challenge (autenticação explícita) apenas nos casos de alto risco. O impacto agregado na conversão fica abaixo de 2%.

Principais tipos de golpe

Segundo a Serasa Experian, os golpes mais comuns no Brasil são:

O setor de meios de pagamento lidera as tentativas: 43,1% de todas as 1,49 milhão de tentativas de fraude de identidade no 1T26 foram nessa vertical.

Dicas para o lojista se proteger

  1. Use 3D Secure em todas as vendas online — é a melhor proteção contra chargeback fraudulento
  2. Desconfie de vendas muito acima do ticket médio com tentativas de pagamento em sequência
  3. Habilite notificações (Bin Conexão, Bin Alerta) para monitorar transações em tempo real
  4. Verifique dados do comprador em vendas de alto valor: nome, CPF, endereço, telefone
  5. Registre a entrega com comprovante de recebimento e dados do destinatário
  6. Mantenha contrato e termos de uso claros para evitar desacordos comerciais

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